A pré-história
Existem evidencias de que a zona esteve habitada em tempos neolíticos. Pinturas rupestres e restos funerários, especialmente na Balma de Margineda, assim como os gravados de Ordino, Montalerí e a Roca das Bruxas, revelam que trata-se de um espaço conhecido pelo homem da Idade da pedra. Da Idade do Bronze ficaram o dolmem de Encamp e os jacimentos de Cedre e Enclar.

Iberos e Romanos
Se sabe que os antigos iberos, celtas, cartagineses e romanos que ocuparam o litoral mediterrâneo utilizaram Andorra como refugio de Batalhas. Restos de moedas e pinturas põem em evidencia a presença destes povos. Porém, os andorranos tem mantido lendas que contam suas origens e fatos menos comprováveis porém mais místicos, por tanto mais atrativos.

Os dados mais exaustivos apontam que o território andorrano foi consolidado por Carlos Magno. Se sabe que no ano 788 d.C. o imperador lutou contra o exército árabe no vale de Querol. Inicialmente os árabes ganhavam, mas se apresentou um exército de montanheses procedentes dos vales do Rio Valira somando-se ao imperador galo, favorecendo seu triunfo sobre os árabes. Em agradecimento, Carlos Magno prometeu conceder-lhes um território, que hoje configura a Andorra.

Tempo dos Condes
Foi até o ano 803 quando Ludovico pio, filho de Carlos Magno, concedeu aos andorranos um regime autônomo, sujeito a vassalagem simbólico para o imperador e o bispo de Urgell, que receberiam cada ano um peixe como tributo. Este fato queda constatado, historicamente, na Carta de Fundação de Andorra no que utiliza-se por primeira vez o topônimo de Andorra. A partir de então se considera ao principado como um território independente. Porém, a realidade distancia muito de ser assim pois segundo o Ata de Consagração da Catedral da Seu d'Urgell (893), as cinco paroquias andorranas existentes se consideravam feudos submetidos aos Condes de Urgell.

A instável situação que privou tanto em França como na Espanha durante a Idade Media, com as lutas internas dos pequenos reinos e a constante invasão dos árabes, obrigou aos Condes de Urgell a solicitar ajuda e pactuar aliança com os Condes Caboet, para proteger as paroquias andorranas. Em 1159 se consolida esta união pela que, como compensação, prometia partilhar o domínio do principado. De ai provém a estrutura que se conserva até hoje, na qual dois Copríncipes administram o território.

Os Caboet herdaram seus feudos aos Condes de Foix, mas esses não mantiveram boas relações com os Condes de Urgell, fato que ordenou à formação dos pareatges (acordo entre iguais). Em 8 de setembro de 1278 se firma o primeiro deles, onde se estabeleciam bases feudais que obrigavam aos habitantes de Andorra a pagar dos tributos anuais, um à cada senhor ou príncipe. Em 1288 se firma o segundo pareatge, que dota de igualdade legal aos dos príncipes, fato que tem-se mantido em vigor até o século XX, embora com reformas às épocas que vão transcorrendo.

A Autonomia
O pequeno território resultava de pouco interesse para os Copríncipes e perante a necessidade de um governo mais próximo, os andorranos insistiram durante quase dois séculos na obtenção de sua autonomia. Finalmente, em 1419, os Copríncipes a concederam e se procedeu a formar o Conselho da Terra, que se distribuía em paroquias ou Comarcas cujos representantes formavam o Conselho.

Tempo de Invasões
A intrincada vida política do século XVI também afetou a Andorra. Os monarcas e nobres a veiam sem grande aprecio, utilizando como uma espécie de moeda de cambio para estratégias políticas mais firmes. Varias vezes foi objeto de invasão por diversos reis. Os reis Católicos anexaram à coroa, após a Batalha contra os Duques de Foix e durante o reinado de Carlos V, Andorra foi devolvida à Casa dos Foix e anos mais tarde, Enrique de Navarra, leva para a Casa Real Francesa o principado de Andorra, compartindo-o com a Mitra de Urgell.

O século XVII somou a suas dificuldades as fortes lutas religiosas que mantinham protestantes e católicos. A geografia andorrana, unida à aparente indiferença com a qual se lhe tratava, foi a causa de que se lhe visualizara como uma espécie de paraíso ao que escaparam parte dos protestantes calvinistas franceses, conhecidos como huguenotes. Porém, não contaram com a forte essência católica dos habitantes que se resistiram às novas doutrinas, mantendo-se fieis a sua fé católica. Perante os distúrbios, as autoridades locais pediram ao bispo de Urgell sua intervenção.

A Consolidação de Andorra
Apesar destes tropeços, os séculos XVII e o XVIII foram de grande auge no relativo à unidade nacional dos andorranos. Uma vez livres do poder da inquisição e das lutas e câmbios políticos, as autoridades andorranas começaram um trabalho para consolidar o país.

A falta de exército e de possibilidades de constituir a um, o Consell General propõem que cada chefe de família se converta em um soldado, dispondo em casa de uma arma em perfeitas condições. Os trabalhos comunais se organizam, os impostos que se pagam se estandarizam e as famílias se dedicam a trabalhar. Os andorranos se esforçaram por consolidar-se a si mesmos como nação, tentando distanciar-se dos intermináveis deslizes políticos de seus Copríncipes e seus reinos.

A Revolução Francesa supôs outra transição para Andorra. A destituição da Monarquia francesa deixou órfã ao principado, no relativo a sua cabeça secular e a mercê da resistência espanhola. Durante meses, os andorranos temeram uma invasão por parte dos revolucionários franceses, assim como uma resposta dos espanhóis que haveria de jogar-se no pequeno território. Porém, possivelmente por sua própria geografia e sua aparente falta de importância, os franceses se esqueceram de Andorra, deixando-a em mãos espanholas até a chegada de Napoleão, que em 1806 se corou Imperador e assumiu de novo o mando como Copríncipe de Andorra. Desde essa data, os governantes franceses, assumem o título de Copríncipe de Andorra.

O século XIX representa a modernização do sistema tributário andorrano. Se estabelece que dos impostos dois terços vão as mãos da Mitra de Urgell e a outra se divida entre as seis paróquias existentes. Em 1866 se consegue estabelecer o sufrágio direto para os cabeças de família, com motivo da eleição do novo Conselho geral dos vales.

A Independência
Em 1868, ao derrocar à rainha Isabel II, se reconhece a independência de Andorra e a vida interna do país se resolve em seus próprios términos. Investidores estrangeiros tratavam de convencer aos naturais do país das possibilidades de aumentar seus ingressos si se estabeleciam casinos, centros de saúde e lojas. Porém, os debates internos não cediam espaço a estas novas possibilidades. Tal vez a única inovação permitida, que a longo prazo beneficiaria economicamente, foi a introdução do tabaco como cultivo em suas altas montanhas.

O Século XX
O século XX tem conduzido a Andorra para uma modernização acelerada. O turismo começa a chegar assombrado pela pureza da paisagem, os comércios vão abrindo-se, modernizando-se e aceitando o que antanho rechaçaram. As estações de esqui se configuram nos altos picos nevadas fazendo da natureza seu aliado.

O Tribunal de Cort, o máximo órgão jurídico do país, convocou, em 1933, às primeiras eleições ao parlamento. As mulheres obtiveram o direito ao voto até 1970.

Um dos últimos acontecimentos de Andorra foi a formação da sétima paróquia, Escaldes-Engordany, resultado da separação de Andorra la vella em 1978. A questão obedeceu a necessidades administrativas e não a dificuldades internas.

O governo do principado segue sendo um estranho exemplo de convergência entre as velhas tradições e as modernas democracias. Apesar do seu pequeno tamanho, as paróquias contam com um prefeito ou Cònsol Major que dirige a política da mesma. O prefeito conta com a ajuda do cònsol menor e dos secretários, quatro de cada paróquia, que compõem o Consell geral de les Valls, parlamento que tem o poder legislativo. O parlamento se renova por voto direto cada quatro anos. A partir de 1981 o Consell geral elege ao Chefe de Governo que tem a faculdade de selecionar aos Ministros ou Consellers de Govern.

Os ancestrais Copríncipes mantém a Chefatura de Estado em Andorra, mas pode dizer-se que tanto o bispo de Urgell como o presidente da República Francesa, reinam mas não governam em Andorra e representam ao principado embora este mantém sua autonomia. Ambos têm um representante permanente para Andorra conhecido como "veguer", que recebe o tributo simbólico.

História de Andorra
Andorra esteve habitado desde a época neolítica (3500 a.C. - 2000 a.C) centrada nos arredores do rio Valira. Os íbericos, celtas, cartagenos e romanos também deixaram constância de sua presença.

No ano 714 os muçulmanos ocuparam Andorra e no ano 788 o território foi conquistado por Carlos Magno, quem segundo a tradição, lutou contra o exército árabe no Vale de Querol. O imperador doou os dízimos e outros direitos da zona aos bispos de Urgel e no ano 817 Andorra passou, como Urgel e a Cerdaña, a depender da soberania carolingina. Do ano 839 data o primeiro documento no quañ se certifica a dependência de Andorra aos condes de Urgel.

Em 1278 em Lérida, assinou-se um acordo, a instâncias do rei aragonês Pedro II, entre o conde de Foix e o bispo de Urgel, pelo qual este último cedeu parte de seus direitos e ambos ficaram como co-soberanos de Andorra. Este acordo se conhece como o "primeiro pariatge", isto é o primeiro tratado de co-soberania.

Várias vezes Andorra foi invadida por diferentes monarcas: os Reis Católicos a anexaram à coroa, depois de uma guerra contra os Duques de Foix e durante o reinado de Carlos V, Andorra foi devolvida à casa dos Foix.

No ano 1607, Luis XIII incorporou o condado de Foix à Coroa de França, o qual lhe converteu em co-príncipe de Andorra, junto com o bispo de Urgel, dignidade que, dois séculos depois, ao desaparecer a monarquia em França passou aos sucessivos chefes do Estado francês. Em 1806, a petição dos andorranos, Napoleão I restabeleceu os cargos de veguer e batlle francês, o qüestia e as isenções aduaneiras concedidas durante a monarquia de Luis XV.

Em 1866, Guillem de Plandolit i de Areny, membro da elite andorrana, liderou o movimento político conhecido como a "Nova Reforma" (Nova Reforma), que foi aceitada pelo bispo Josep Caixal i Estradé. Esta reforma das instituições concedeu uma participação mais ativa à cidadania no governo do país ao criar o "Consell Geral" (Conselho Geral) composto por 24 "consellers" (conselheiros) que se escolhiam entre os "Síndics". Três anos depois o co-príncipe francês, Napoleão III, ratificou a reforma.

Depois da II Guerra Mundial, o nível de vida do Principado foi paulatinamente elevando-se e a população se duplicou em doze anos, chegado a 12.199 habitantes em 1964. Começou, assim, o desenvolvimento comercial e turístico com a construção das primeiras instalações para a prática dos esportes de inverno. Por fim, em 1982, constituiu-se o primeiro governo de Andorra, presidido pelo sr. Òscar Ribas, e em 1993 se elaborou a primeira Constituição do país na que os Chefes de Estado seguem sendo os co-príncipes, o Presidente dela República francesa e o Bispo da Seu d,Urgell. Desde 1994, o Partido Liberal governa em Andorra, primeiro com Marc Forne, como cabeça de governo, e na atualidade com Albert Pintat.

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